Conheça o cavalo com o dom de animar pacientes e deficientes

Conheça o cavalo com o dom de animar pacientes e deficientes

Hassen Bouchakour, cavaleiro de renome internacional, viaja pela França com seu par de quatro cascos. Eles visitam pessoas frágeis ou em fim de vida. E, em contato com o animal, suas reações são inesperadas. Dois dias por mês, o Ehpad des Orchards de Chartreuse de Dijon (Borgonha Franche-Comté) acolhe um visitante muito especial. Sempre acompanhado por Hassen Bouchakour, várias vezes campeão mundial de adestramento artístico, Peyo, um grande garanhão, vem regularmente trazer bem-estar aos moradores.

Dr. Peyo

Antes de visitar seus pacientes, o Dr. Peyo, como é chamado aqui, se prepara. Crinas com tranças, pés untados, o corpo coberto com uma loção anti-séptica e um cobertor. “O protocolo sanitário é muito rigoroso” , diz Hassen Bouchakour, o treinador deste belo garanhão.

Nos corredores da casa para idosos dependentes (Ehpad) Orchard Chartreuse, em Dijon (Côte-d’Or), Peyo se move naturalmente. “Ele está em casa”, sorri Sandrine Bougenot, um cuidador.


Nos corredores do Ehpad, o cavalo não sente medo e vai ver espontaneamente os moradores. | Thierry Creux

Ao lado de seu humano, o cavalo não sente dificuldade nem medo. Ele sobe no elevador, vai para os quartos dos pacientes, anda para trás em espaços apertados.

“O relacionamento de Hassen com este cavalo é mágico”, comentou Pierre-Hubert Ducharme, oficial de saúde. “Eles estão constantemente conectados e constantemente precisam estar próximos uns dos outros.”

No quarto de Solange, Hassen e Peyo cercam a velha senhora. Deitada na cama, a moradora não fica impressionado com a chegada desse imponente garanhão. Hassen se senta ao lado da paciente, Peyo coloca sua cabeça acima dela. Não é a primeira vez que Solange recebe esses visitantes atípicos. Desde o final de novembro, o cavaleiro de trinta anos e seu cavalo chegam a este estabelecimento dois dias por mês.

Uma conexão com pacientes

E, a cada visita, a mágica entra em ação. “Peyo consegue criar uma conexão com os pacientes. É um cavalo realmente notável”, diz Murielle Carillon, arteterapeuta. Como com esta senhora, que geralmente é calada e pode ser agressiva. Ela não anda mais e muitas vezes mantém os braços apertados contra as costelas. 

No contato como o cavalo, Solange se abre e é gentil com o animal. | Thierry Creux

Mas em contato com o cavalo, Solange não é a mesma. Seu grande sorriso não sai de seu rosto. Ela estende a mão para o animal, que abaixa a cabeça para lambê-la. Ele a cheira, abraçando-a à sua maneira. Instintivamente, o cavalo vai para até as pernas imóveis. “Percebemos que ele detectou membros doentes e começou a lambê-los”, diz Hassen Bouchakour. É surpreendente.

“Não devemos buscar explicações para tudo”, diz Marie Lombard, médica geriatra e chefe deste serviço. “Há coisas acontecendo, com certeza. Os pacientes recuperam as palavras em contato com o cavalo, outros começam a andar, quando já não conseguiam mais. Nós, cuidadores, observamos, notamos todas essas reações e trabalhamos nelas.”

Peyo, não é Lourdes

Um pouco mais adiante, algumas vovós queridas estão esperando pelo Dr. Peyo. “É engraçado, um dia antes da chegada do cavalo, muitas moradoras vão ao cabeleireiro”, diz Sandrine Bougenot, cuidadora. É assim que o equino tem o poder de fazer felizes essas lindas damas.

Entre elas, Irene. “Ela não fala muito mais do que húngaro”, diz Sandrine Bougenot, mas, em contato com o cavalo, ela começa a falar francês muito bem. Um milagre? Quando Hassen Bouchakour e Peyo ouvem essa palavra, seus cabelos se arrepiam. “Peyo, não é Lourdes”, insiste o treinador. “O cavalo acalma os pacientes, desperta neles, em um instante, coisas enterradas, mas, em nenhum caso, faz milagres.”

O cavalo fascina as moradoras. Graças ao garanhão, elas têm reações inesperadas. | Thierry Creux

 O encontro entre Peyo e Hassen, pode ser descrito como milagroso. Seis anos atrás, Hassen Bouchakour, campeão do mundo múltiplo em adestramento artístico, viajava os continentes, de espetáculo para espetáculo. Para completar suas apresentações, ele procurava um novo cavalo. A ele foi  confiado Peyo. Problema, os dois não se entendiam. “Era insuportável, eu não queria mais montá-lo. Eu até o coloquei à venda. Então, um dia, houve um clique. Nós dois nos entendemos.”

Há sempre um coração que bate

Durante os shows, o treinador percebeu que Peyo instintivamente ia para os deficientes. Ao seu toque, o garanhão fogoso geralmente se acalmava. A perda de uma pessoa querida por Hassen Bouchakour foi o gatilho para embarcar nesta aventura fora do comum. Por três anos, o homem trabalhou duro com seu garanhão. “Eu tive que ensiná-lo a controlar seu equilíbrio em diferentes andares, para fazer suas necessidades na ordem, para se acostumar com muito barulho”, explica ele.

“Eu estou fazendo isso porque é cultural para mim”, diz Hassen. “No Magrebe, as crianças cuidam dos idosos. Meu objetivo é fazer as pessoas entenderem que não é porque somos condenados por uma doença que devemos ser abandonados. Não devemos esquecer que sempre há um coração que bate.”

(Fonte)

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